terça-feira, 9 de abril de 2013

Tenho pensado em educação


Tenho pensado em educação.
Não somente daquela com a qual todos têm que lidar no dia a dia. Aguentar a “falta de educação” humana já é tão comum que banalizo desrespeito com um sorriso. O inesperado machuca bem mais.
Penso na educação não só de meu país. Não é somente mera torcida por valorização do profissional docente. Não estou querendo maiores escolas e o próximo Einstein. Quem sabe um Bobby Fischer? Mozart? Eu a valorizar minha bandeira com um Santos Dumont nas camisas vendidas na esquina onde só havia foto do Che e Bob Marley.
Não é crítica. É só pensamento.
Eu pensei na educação tempos atrás. Estava me despedindo de uma escola em que trabalhava como professor, mas não tinha avisado os alunos ainda. Aulas de despedida tendem a ser emotivas demais e sempre busquei evitá-las. Eu sabia que terminaria, mas confiava no professor substituto e tentava manter o bom trabalho até o último segundo.
Cheguei ao último dia. Um desejo se realizou.
Em uma das turmas que não lembro ao certo qual, um aluno que também não lembro o nome me disse uma frase que nunca esqueci.
Eu queria você fosse embora daqui e não voltasse mais.
Lembro que ele não “gostava” de mim. Eu era o chato que queria fazê-lo estudar. Era insistente. Chamava atenção para a aula. E estava errado.
O desejo se realizou.
Anos se passaram e esse episódio continua na minha memória sem fazer muito sentido. O desejo permanece realizado. Eu imaginei a recepção da notícia no dia seguinte. Será que ele comemorou ou se arrependeu? Será que sua convicção hoje é que continuo errado? Será que se lembrou de algo que eu disse no momento de uma questão do vestibular?
Meus amigos da educação por vezes dizem que irão abandonar tudo de vez. O governo já o fez.
Eu?
Recebo um dia ou outro uma dúvida que ao respondê-la recebo um “obrigado, professor” acompanhado de um sorriso que me faz pensar em educação.
Talvez ainda possa valer a pena continuar por mais vinte anos...

A. B.

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